Razão e Emoção, do amor ao ódio - Capítulo II


CAPÍTULO II
Alguém adentra a nossa vida

O DIA AMANHECE SERENO, nem parece que é mais uma segunda-feira, que a semana de labuta está a começar. Como sempre, Bianca acorda-se, ainda sonolenta, caminha-se até o banheiro e dá início a sua rotina: escovar os dentes, lavar o rosto, fazer xixi, olhar-se por alguns minutos no espelho, caminhar-se lentamente até o boxe do banheiro, abrir a torneira e banha-se nas águas frias que caem do chuveiro. Ao término, enxuga-se com delicadeza e sai enrolada na toalha.
            Só que alguns dias, ao voltar para o quarto, sempre fica pasma com a visão de um homem deitado sobre os seus lençóis, completamente nu sem nenhum pedaço de pano cobrindo aquela pele branca e aqueles músculos encantadores. Sim! O que os olhos dela veem, é o Gusta dormindo feito um arcanjo.
            Ela fica admirando aquela beleza dos grandes guerreiros gregos e, ao mesmo tempo, tão angelical. Caminha até a cama, pega o lençol e cobre o corpo do seu amado, beijando a sua boca em seguida.
            Vai até o closet e escolhe a roupa do dia, hoje será um vestido que valoriza o corpo da jovem secretária, um pretinho básico. Após se arrumar para ir ao trabalho, dirige-se até a cozinha e saboreia um delicioso café da manhã, preparado por sua mãe como muito amor e carinho para sua única filha.
           
AO CHEGAR NO TRABALHO, encontra-se com Verônica na entrada da empresa.
            - Oi, linda! – Abraça a amiga.
            - Oi, Vê! – Retribui o abraço com um beijo na face esquerda da amiga. – Menina, a cada dia eu fico mais e mais apaixonada por aquele homem.
            - É visível. Você está a cada dia mais reluzente. Realmente aquele deus grego está te fazendo um bem enorme.
- Ai! Põe enorme nisso!
As amigas saem caminhando rindo. Verônica se direciona para o seu departamento e Bianca pega o elevador para a presidência. Quando chega, o Antony já está na sala dele. Ela percebe a presença do chefe ao ver a porta meio aberta. Ele sempre faz isso quando chega à empresa antes da secretária.
A moça coloca a bolsa sobre a mesa, abre a gaveta, pega o tablet e caminha-se para sala do presidente.
- Bom dia, Sr. Antony! – Entra, fecha a porta e caminha-se até uma poltrona que está em frente à mesa do chefe.
- Bom dia! Diga-me quais são os meus compromissos no período da tarde. – Volta o olhar para um documento que lia antes da secretária adentrar a sala.
- O senhor não tem nenhum compromisso hoje à tarde. Lembro de que o senhor havia falado não quer que eu marcasse nada para essa tarde.
- Isso mesmo. Lembro. – Põe o documento sobre a mesa, olha para a secretária. – Muito bem. Deve ficar assim, vazio. Porque hoje é o dia que a minha princesa chega de Paris.
- A senhorita Yasmim?
- Isso. Minha filha chega hoje do seu intercambio. Estou com tantas saudades da minha princesinha. Ela nunca tinha ficado tanto tempo longe de casa, no máximo, dois dias, um fim de semana com os amigos ou por causa de alguma excussão da escola.
- O senhor quer que eu encomende algo ou compre algo para ela?
- Não será preciso. O Augusto já providenciou tudo. Vamos oferecer hoje à noite uma pequena recepção para alguns amigos dela, nossos e familiares.
- Fico feliz com o retorno da senhorita Yasmim Flammy Queiroz.
- Flammy Queiroz! Um dia ela será a dona disso tudo, dona do império dos seus pais. Augusto e eu construímos tudo isto para ela, sempre pensamos nela em primeiro lugar, no seu bem-estar e no seu futuro. Sempre foi, é e será ela.
- O senhor deseja mais alguma coisa?
- Não!
- Então, vou voltar para a minha mesa, pois preciso enviar alguns e-mails. – Ela vai abrindo a porta, quando ouve o seu nome ser pronunciado por Antony.
- Bianca! – Espera a moça, voltar-se em direção a ele para o ouvir falar. – Se você e seu namorado não tiverem nenhum compromisso à noite, e quiserem ir recepcionar a minha filha.
- Vamos, sim. Vou ligar para o Gusta para combinarmos os detalhes.
- Fica combinado assim. Bom trabalho.
- Igualmente. – Volta a abrir a porta e caminha-se até a mesa dela.

A FESTA PARA YASMIM está saindo como Augusto planejou. Verônica, Vinícius e Bianca chegam juntos. Quando eles adentram a casa, cumprimentam o casal Augusto Queiroz e Antony Flammy. Que deseja aos amigos uma boa festa.
            O trio caminha pela sala, falam com amigos e veem Yasmim conversando com os amigos. Bianca fica olhando para ela, que continua feliz e de costas para a secretária do Antony.
            - Bianca, você não vai beber nada não? – Pergunta Verônica a amiga.
            - Agora, não. Estou preocupada com o Gusta que ainda não chegou. A última vez que falei com ela pelo celular, ainda estava no caminho.
            - Ele deve estar chegando daqui a pouco. – Abraça o marido.
            - É isso aí, Bianca. Você sabe que o trânsito é terrível este horário, principalmente ele que vem do interior.
            - Eu sei, Vinícius. Por isso que eu acho que não deveria ter vindo. Ele vai chegar cansado, depois de um dia de viagem e trabalho no interior.
            A noite vai passando e nada de Gusta chegar. Todos estão felizes com tanta comida, bebida e música ao vivo.
            - Minha linda, você não está se divertindo?
            - Estou, senhor Augusto. É que estou preocupada com a demora de Gustavo, o meu namorado. Ele foi fazer um serviço da empresa no interior do Estado e até agora não chegou.
            - Você ligou para ele, para saber onde ele está?
            - Já. Mas faz mais de duas horas que falei com ele. Tentei outras vezes, mas a bateria do celular dele deve ter descarregado. Só me resta esperar.
            - Relaxe! Não aconteceu nada, não. Você já viu Yasmim?
            - Vi-a de longe, ela estava conversando com alguns amigos.
            - Pois é, ela está muito feliz em rever todo mundo. Eu e o Antony mais ainda por tê-la de volta em nossa vida.
            - Estou feliz por vocês.

GUSTAVO DÁ A PARTIDA no carro após o sinal verde acender. Enquanto dirige, come um sanduiche acompanhado de uma Coca-Cola gelada. Tudo parecia tranquilo, até que um cara freia bruscamente o veículo e Gusta freia rapidamente para não bate na traseira do Ford Vermelho.
            Ele não sabe o que houve, mas sabe que a Coca-Cola derramou sobre a sua camisa.
            - Droga! Agora tenho que ir em casa para trocar de roupa.
            Quando chega em casa, toma um banho rápido e troca de roupa, enquanto dá uma carga breve no celular. Antes de sair, liga para Bianca.
            - Mô! Você está bem?
            - Sim! Estou em casa. Vim tomar banho e trocar de roupa. Estou indo ao teu encontro.
            - Estou sentindo tua falta. Apesar de ter muita gente aqui, sinto-me sozinha.
            - Já estou saindo. Como foi pouco tempo de carga, não poderei ficar lingando para você, mas chego aí dentro de 30 minutos, no máximo.
            - Estou te esperando ansiosa.  Beijos!
            - Beijos!
            Após 20 minutos no trânsito, Gustavo vai entrando em uma via paralela à avenida Salgado Filho, quando uma moça aparece em frente ao seu carro. Não tinha como frear, tudo aconteceu muito rápido, foi como se a mulher tivesse se materializado bem em frente ao seu veículo.
            Ele sai do carro, liga para a emergência, solicita uma ambulância e fica próximo ao corpo da jovem, esperando o socorro chegar. Logo, uma viatura de polícia estaciona próximo ao acontecido. Os policiais interrogam o motorista envolvido no acidente.
            - Foi tudo muito rápido. Acho que ela estava ao celular e não viu eu entrando na rua. Tudo aconteceu em milésimo de segundos, não tive como evitar.
            A Samu chega ao local, a menina é socorrida e Gustavo acompanha a ambulância, após ser liberado pelos policiais.
            O namorado de Bianca usa o telefone público do hospital para ligar para ela. A moça fica muito nervosa e vai ao encontro do amado na companhia de Verônica e Vinícius. Eles saem às pressas e não explicam o que houve para Augusto e Antony.

A FESTA CONTINUA BOMBANDO, mas Augusto e Antony sentem a falta de Yasmim. Eles saem em busca da filha, falam com os convidados, perguntando pela menina. Estes não sabem com precisão o tempo certo que viram pela última vez a jovem Flammy Queiroz.
            - Ronny!
            - Sim, tio!
            - Você sabe da Yasmim?
            - Tio Antony, ela disse que ia à farmácia com a Solange.
            - Por que ela foi à farmácia?
            - Não sei ao certo, tio Augusto. Sei que ela e Solange saíram aproximadamente 30 minutos.
            - Já era para elas terem voltado, a farmácia é na esquina.
            - Não se preocupe, Augusto. Daqui a pouco ela chega.

BIANCA CHEGA AO HOSPITAL na companhia dos amigos. Ela procura por Gusta, pergunta a recepcionista do pronto socorro, mas não tem notícias. A solução é ficar na sala de espera.
            Gustavo está acompanhando a moça acidentada. O médico informa que está tudo bem com ela. Não houve nada grave, apenas alguns arranhões, contudo, ela precisará ficar o resto da noite porque ficou quase uma hora inconsciente. Portanto, precisa ficar em observação.
            Ele tenta buscar informações sobre ela na bolsa da moça, no entanto, só encontra cartões de crédito com o nome Yasmim F. Queiroz. Como ele não a conhecia e nem sabe o sobrenome de Augusto Queiroz, “F. Queiroz” soa estranho para ele. Ou seja, não a associa ao presidente da Flammy Indústria Ltda.
            Resolve buscar informações no celular da menina. Este está com o visor danificado, mas ele consegue fazer uma ligação para o último número que Yasmim havia ligado.
            - Alô?
            - Oi! Sou o Gustavo Leone.
            - O que você está fazendo com o celular da minha amiga?
            - Calma! Ela sofreu um acidente. Foi atropelada e está no hospital Walfredo Gurgel.
            - Como? Os pais delas já estão sabendo?
            - Não! Eu tive que vascular a bolsa dela e o celular para avisar alguém sobre o ocorrido. E o número, que ela havia ligado por último, foi o seu.
            - Exato! Eu vou entrar em contato com a família dela. Obrigada!
            Gustavo deliga o celular, coloca-o dentro da bolsa de Yasmim, vai em direção a recepção, entrega os pertences da menina a recepcionista e dá de cara com Bianca, Verônica e Vinícius.
            - Amor, como você está?
            - Tudo bem comigo. A moça já foi medicada e passa bem.
            - Gustavo, você já falou com a polícia?
            - Já, Vinícius. Eles chegaram antes do Samu. Contei tudo que aconteceu e fui liberado para acompanhá-la.
            - Mas como aconteceu?
            - Não sei como explicar bem, Verônica. Mas acho que ela vinha ao celular ou falando ou passando mensagens.
            - Com certeza estava no WhatasApp. Vamos para casa, mô?
            - Vamos! Já entrei em contato com a amiga dela e ela vai avisar aos pais da moça o que aconteceu e onde ela está.
            - Bem! Você já prestou toda assistência possível, agora é com os pais dela.
            - É isso, cara! Vamos para casa que amanhã temos que trabalhar logo cedo. – Vinícius fala com um ar de humor-triste.

            Cada casal entrar em seu carro e partem para casa. Enquanto isso, Augusto e Antony recebem a ligação de Solange que avisa do estado da amiga para o casal. Os dois ficam nervosos e saem correndo em direção ao hospital. Ronny fica responsável para avisar aos convidados sobre tudo que aconteceu e pôr fim a festa de boas-vindas para Yasmim Flammy Queiroz.
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