Razão e Emoção, do amor ao ódio - Capítulo V


CAPÍTULO V
Circunstâncias

A VIDA É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS, como caminhos lineares e não lineares, com altos e baixos; em cada curva uma decisão ou indecisão, abismo e o enfretamento com as circunstâncias que se fazem presente feito uma enxurrada de emoções inconstantes. Se o futuro a Deus pertence, o presente pertence a nossa existência, muitas vezes repletas de sorrisos, outras encharcadas de desilusões, angústias, medo e certezas de que nada sabemos sobre os segundos que chegam na velocidade da luz.
            É pensando na vida, em nossas histórias escritas em linhas tortuosas, por algumas vezes um tanto tênues, como bem as define a sabedoria popular que vemos em nossos olhos a vivência humana em atos, cenas roteirizadas por uma força suprema.

A NOITE CAI ROMANTICAMENTE EM SUA MOCIDADE, e a experiência de mais um ano vivido faz-se presente na vida de Solange Lutero. Em volta de amigos íntimos, não tão íntimos assim, que nunca viu pessoalmente, que conhece apenas a voz, que se esbarraram apenas uma única vez em uma festa qualquer, tudo resultou em um tempo para um oi e um pouco mais, só para indagar: qual é a sua rede social? Uma geração que os laços de amizades vão bem além do toque de mão, de um sorriso, de uma conversa, de um acalento no ombro esquerdo, talvez direito, de uma lágrima enxugada com o dedão mesmo. Uma amizade que não tem explicação, para muitos, é apenas coleguismos, para poucos, é verdadeira. No entanto, só pouquíssimos estão e são cartas marcadas na caminhada de alguém.
            Gusta chega à boate em uma noite de sexta-feira bombástica. De cara é recepcionado por Solange, a aniversariante e anfitriã da badalação. Jogo de luzes, som alto, jovens bebendo, dançando, beijando-se, conversando ao pé do ouvido, jogando aquele papo, um dia chamado de xaveco, aquela azaração. Acontecendo tudo em um só lugar – se você pensou “até sexo?”, respondo-lhe: Porque não. Afinal, em uma badalação contemporânea não se pode dizer “nada é impossível, pois tudo é possível de ser crível” –, Sol abre um radiante sorriso ao ver Gustavo, ela o conhece por fotos, a partir do instante que vasculhou as redes sociais do rapaz, ele só conhece a voz dela, por causas das vezes que ligou para o celular da garota.
            - Que bom que você veio, Gustavo! – Abraça-o e o cumprimenta com um beijo no rosto, de um lado e do outro, ele retribuiu.
            - Olá! Parabéns! Muitas felicidades e sucesso, sempre em triplo. – Sorrir. – É um imenso prazer conhece-te pessoalmente. – Pega-lhe as mãos.
            - Obrigada! Também estou feliz em conhecer você pessoalmente. Além da voz e das fotos das suas redes sociais.
            - Verdade! – Concorda. – Apesar que eu só conhecia a sua voz. Confesso que não fui buscar te conhecer nas redes sociais. – Risos contagiantes.
            - É eu sei. – Dar uma bela gargalhada. – Você ainda não aceitou o meu pedido de amizade. – Volta a rir gostoso.
            - Desculpe-me! – Fica sem jeito. – É que eu não sou muito assíduo no meio virtual. Mas irei te aceitar sim.
            Os dois ficam conversando, se conhecendo. Após alguns minutos de falatório ente eles. Gustavo é fisgado pela presença de alguém que vem em sua direção. As luzes da boate deixam as passadas da jovem deslumbrante, tornando sua chegada um tanto triunfal.
            - Gusta! Que bom que você está aqui. – Derrete-se ao falar com ele.
            - Muito bom te vê. Está aqui também. – Tenta desfaçar o seu encanto por ela.
            - Bem! – Interrompe o clima de pré-romance, Solange. – Eu vou falar com o pessoal que acaba de chegar. Fiquem à vontade, a festa é de vocês. Se joguem!
             Após a saída da aniversariante, o casal se cumprimenta devidamente, com todas as formalidades.
            - Eu não te vi mais na empresa, por esses dias. – Procura saber o porquê.
            - Eu estava fazendo serviços no interior. A Flammy tem negócios no interior do Estado, e sou o responsável pelo marketing da empresa nessas cidades.
             - Então, você quer beber alguma coisa? – Indaga-o.
            - Sim! Vamos até o bar pegar algo.
             Os dois saem em direção ao bar, pegam uma bebida e seguem para a pista de dança. Yasmim Flammy aproveita para jogar todo o seu chame, afinal, hoje, para ela, é a noite certa para conquistá-lo de uma vez por todas. Eles se aproximam e dançam mais próximo.
            Com o clima quente da festa, é de se esperar a maior pegação entre eles. Mas será mesmo?

O EXPEDIENTE CHEGA AO FIM NA FLAMMY INDÚSTRIA. Todos saem dos seus setores de atuação profissional. Em frente ao prédio da empresa, Fátima encontra-se com Bianca.
            - Oi, menina! – Diz Fátima olhando nos olhos da amiga.
            - Oi! – Retribui. – Você está saindo esta hora, Fátima?
            - Pois é, menina. Hoje precisei ficar até mais tarde para resolver uns problemas. Como Gustavo passou a atuar mais no interior, eu estou sobrecarregada.
            - E aí, vai para a parada ou vai esperar pelo Marcelo? – Vasculha a bolsa em busca do cartão de passagens.
            - Vou de ônibus. Marcelo levou o carro para oficina, e só vão entregar segunda-feira pela manhã.
            - Então, vamos, antes que ele passe e a gente tenha que ficar esperando por horas naquela parada deserta.
            As amigas vão em direção à parada, poucos passos de chegarem, veem o ônibus se aproximando. Elas correm para não o perder. Entram no veículo um pouco esbaforidas. Têm sorte, pois ainda há dois bancos vazios no fundo, um pouco distante da porta de desembarque que está localizada no meio do ônibus.
            As amigas vão jogando conversa fora, com muitas risadas e recordando bons momentos da vida pessoal e profissional delas. Até que adentram ao assunto GUSTA.
            - E como você está após o término com ele? – Procura saber como a amiga está lindando com a separação.
            - Na verdade, não é uma separação concretizada. – Tenta explicar, apesar da voz levemente embargada. – O nosso último encontro foi cheio de... nem sei dizer ao certo, mas não chegamos a tomar uma decisão sobre o fim. Ele está para lá e eu para cá. Faz uma semana ou mais que não trocamos nem sequer um “oi” pelo celular ou qualquer coisa do tipo.
            - Amiga, vocês têm que se encontrarem e colocarem um ponto final. Assim não dá para ficar, cheia de indecisões.
            - É verdade. Mas não sei se ele quer terminar, se eu quero terminar. Ou mesmo continuar. – Dar uma pausa por um bom tempo.
            - É difícil. – Quebra o silêncio.
            - Muito. Com certeza tomarei a melhor decisão para a minha vida.
            Fátima percebe que a parada, próxima a sua casa, está chegando. Portanto, vai colocando as alças da bolsa sobre o ombro direito e se preparada para se despedir de Bianca. Dá um abraço apertado na amiga, um beijo na face direita, olha nos olhos dela e diz adeus.
            - Tire qualquer ódio do teu coração. Fique em paz consigo, não desista dos teus sonhos. Procure o melhor caminho para trilhar, realize-se, amiga. Estou indo. A gente se ver. Tchau e tenha uma linda noite.
            - Tchau. – Lagrimeja os olhos.
            Fátima levanta-se, caminha pelo corredor do ônibus já quase vazio, puxa a corda para pedir parada e se aproxima da porta de desembarque dos passageiros, olha para a amiga que continua sentada, dá um sorriso lindo de felicidade, tão reluzente que chega a acalentar o coração perturbado de Bianca.
            A porta abre, a mulher pisa no primeiro, no segundo degrau e em seguida aproxima o pé direito à calçada, quando se ouve um cara gritando. Ela olha de relance para a esquerda e o rapaz surge correndo na esquina, um pouco depois, outro cara o segue com uma arma na mão, aponta-lhe e aperta o gatilho algumas vezes. O som dos tiros invade o veículo, as pessoas se protegem como podem, o motorista tenta fechar a porta, mas se atrapalha por causa do nervosismo, acaba abrindo a porta de embarque de passageiros. E Bianca grita o nome da amiga ao vê-la sangrando, deitada sobre a calçada.
            O homem com a arma continua atirando até atingir o seu objetivo, matar o seu desafeto que tentava desesperadamente se livrar das balas. E o que se vê, é o seu corpo estendido no meio da rua, após ser atingido por três tiros nas costas, um foi fatal.
            O assassino das duas vítimas, pega a rua a frente e some. Bianca desce do ônibus desesperada em direção ao corpo da amiga, aproxima-se, ajoelha-se e chora compulsivamente. Os demais passageiros e o motorista descem do veículo e começam a telefonar para familiares, polícia e SAMU.
            Minutos depois, um homem surge na esquina, vê o tumulto e fica se perguntando o que teria acontecido. Dá alguns passos a mais e ficando mais próximo da pequena multidão, ver a sua noiva deitada no chão toda ensanguentada e, ao seu lado, Bianca se debulhando em lágrimas.
Marcelo se joga sobre o corpo de Fátima, abraça-a, chora feito criança perdida dos pais. Faz carinho no rosto da amada, beija-lhe a boca e pede-lhe para acordar, comovendo a todos os presentes.
- Meu amor, acorde! Não me deixe aqui sozinho. – Beija-a, acaricia o seu rosto. – Eu preciso de você, amor. – Olha para o céu. – Deus, por que você está fazendo isso comigo. – Grita. – Por que o Senhor está fazendo isso conosco.
O telefone celular de Fátima toca em sua bolsa. Bianca caminha até o acessório, curva-se e o pega. Abre o zipe e vasculha buscando o aparelho que está no fundo da bolsa. Encontra-o e o atende.
             - Alô! – Alguém faz uma pergunta a ela. – É o telefone dela sim. – Pausa, tenta segurar o choro. – Ela não poderá atende agora não, dona Luzia. A sua filha acabou de ser atingida por uma bala perdida. – Pausa para ouvir o som do choro da mãe da amiga. – A senhora fique calma. – Com a voz embargada. – Ela vai precisar da nossa oração. Não posso dizer muitas coisas não. Estamos esperando o socorro. – Ouve a senhora. – Ele acabou de chegar, quando eu tiver alguma notícia dos socorristas, volto a entrar em contado com a senhora.
Com as mãos muito trêmula, Bianca deixa a bolsa vermelha cair no chão, quando ia colocar o parelho celular dentro dela. Abaixa para apanhar os pertences da amiga, neste momento, um vento rasteiro assopra e faz uma folha de papel caminhar até o corpo de Fátima. Marcelo vê o papel e pega-o. Abre-o e começa a ler. 
O rapaz não consegue conter as lágrimas e o desespero ao saber que a noiva estava grávida.
- Meu Deus, Senhor está me tirando tudo. A minha amada e um filho que acabo de saber que existiria em nossa vida. Isso não é justo, Deus. Não é justo, Senhor.
Bianca ouve em silêncio e vai até o amigo para consolá-lo.
Os socorristas do SAMU chegam e constatam a morte de Fátima. Os técnicos do ITEP tentam remover o corpo, mas Marcelo não deixa, abraça o cadáver da amada e pede para os profissionais não tirarem Fátima dos braços dele. Bianca tenta contê-lo, mas não tem força para tanto. Até que os polícias conseguem separar Marcelo do corpo de Fátima.

DE VOLTA À FESTA DE ANIVERSÁRIO de Solange Lutero. Yasmim e Gusta vão para outro ambiente mais tranquilo, sem tanta gente e som alto. Eles caminham entrono da piscina, vão até um bar e compram drinques. Conversando e bebendo os drinques, caminham até um ponto arborizado, param, Yasmim fica apreciando a beleza do local e Gustavo admirando sua beleza angelical.
            - Desde que falei contigo ao celular que fico pensando em nós dois. – Vira-se para ele. – Fico pensando se podemos construir uma história juntos. – Abaixa o olhar.
            - Não sei se teremos. – Aproxima-se dela, estende a mão esquerda e com o toque delicado abaixo do queixo da menina, ergue o rosto dela.
            - Acho que estou gostando de você. – Declara-se para o moço.
            - Não posso dizer que não sinto nada por ti, mas...
            Yasmim tenta beijá-lo, mas o rapaz afasta-se.
            - Acho que não é prudente da minha parte. Afinal, não pus um fim definitivo no meu namoro com Bianca. – Esclarece.
             - Vocês não estão afastados? – Procura saber mais.
            - Tentamos conversar, mas ela deixou o ciúme estragar tudo. – Caminha.
            - Você... – Segue-o. – Você não precisa se sentir culpado. Até porque vocês estão distantes, dando um tempo, talvez nem... – Vira-o em sua direção. – Voltem mais. – Beija-o fogosamente.

            Gustavo Leone se entrega ao desejo e aos beijos calorosos de Yasmim Flammy, suas mãos passeiam pelas curvas do corpo dela, este transmite todo o desejo pelo toque das mãos de um cara viril, pelo calor do corpo daquele homem másculo que desejara há um bom tempo. 
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